Lendas de Cananeia

 

Mistérios ao lado

Entre a fervorosa crença em Deus e os mistérios da natureza, histórias macabras e sobrenaturais ficam registradas no inconsciente dos que aqui chegaram e fixaram moradia. No isolamento e na tentativa de interpretar o desconhecido, figuras fantásticas surgem e tomam forma, fazendo parte do cotidiano dos cidadãos que as preservam como a resgatar as memórias de seus antepassados. Mas, não se iludam muitas delas ainda espreitam e, a qualquer momento, você pode encontra-las!

O Saci-pererê

Dos indígenas das Missões do Sul, surge a figura ilustre do Saci-pererê. Com o tempo a fama do Saci se espalhou em todos os cantos do Brasil. A personalidade desse personagem varia de região para região. Em sua maioria. Ele é brincalhão e gosta de aprontar com os que o avistam. Vive nas matas e tem uma perna só, pois era lutador de capoeira e se machucou profundamente. Aqui em Cananeia, sua presença é marcante, principalmente no bairro do Rocio, onde suas travessuras podem ser vistas nas crinas dos cavalos que amanhecem trançadas, ou pelos passeios noturnos onde podemos escutar seus assobios. Mas não se engane: se você ouvir o assovio perto é porque o danado está longe e se escutar longe é porque está ele bem perto. E também há relatos de um pescador, ao ouvir o Saci, o homem em sua canoa assobiava de volta como a querer brincar. Sem perceber o tal pescador recebeu um soco na cara tão forte que até perdeu alguns dentes. Os mais descrentes diziam que não foi o Saci e sim um grande galho de árvore que o abateu!

A Figueira

Ela está ali, bem próxima aos transeuntes que cruza o centro da cidade. Mas a Figueira guarda um mistério. Dizem que seu coração é pedra, pois germinou em meio a ruínas. Porém, há muitos e muitos anos uma mulher que vestia sete saias de veludo morava no local da árvore. Essa mulher tinha poderes mágicos e seu destino era proteger um tesouro. Quando morreu continuou em sua sina. Abraçou a ruína protegendo o tesouro da ganância humana.

O Pau da Onça

São muitas as lendas que permeiam o imaginário dos habitantes da região de Cananeia. Umas são até fatos palpáveis como a história do Pau da Onça. Era o ano de 1795, uma época em que animais de grande porte eram abundantes e uma grande catástrofe aconteceu: o Dilúvio do Mandira. Com a fúria das águas da chuva arrasando o povoado, veio na enxurrada uma grande árvore descendo com a correnteza do rio. Agarrada a ela uma onça pintava tentava fervorosamente não se afogar, porém quis o destino que esta se afogasse no encontro do mar…

A Sereia

O que seria das cidades litorâneas sem a presença das sereias? Pois é, aqui em Cananeia elas também aparecem. Alguns sitiantes e pescadores contam que na baía Trapandé, em uma noite de luar, uma linda Sereia de cabelos longos e loiros foi vista no costão do Morro do São João. Para espanto do pescador a Sereia fez dois pedidos a ele: que trouxesse um pente e uma fita. E assim o fez. O Pescador foi para a Vila na casa de um amigo e contou-lhe o ocorrido. Resoluto, seu amigo o aconselhou a matar a Sereia, pois a mesma é feita de ouro. Dito isso, juntos, voltaram ao costão. Para desconcerto do pescador a bela figura não estava mais lá. Então, os dois resolveram esperar. Não demorou muito e a Sereia, de dentro do mar surgiu e perguntou se o pente e a fita estavam com eles. Capciosos, os dois disseram que sim. De imediato um deles pegou a espingarda e atirou em direção a moça. Esta levantou os braços e gritou a maldição: Cananeia acabou! E sumiu nas águas do mar. Desencantados com a fuga da Sereia, os dois amigos contaram o acontecido aos demais e até hoje essa fantástica figura continua aparecendo no costão do Morro do São João.