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quarta-feira 20 março 2019
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A lenda do Ipupiara em São Vicente

A lenda do Ipupiara percorreu o mundo pela exatidão dos relatos e também na confirmação da existência de figuras letais que viviam no Oceano Atlântico, na época das Grandes Navegações.

Segundo relato do historiador e cronista português, Pero de Magalhães Gândavo, em seu livro História da Província de Santa Cruz, foi encontrado na praia da Vila de São Vicente, nos idos 1564, um monstro marinho chamado, na época de Ipupiara. Segundo consta, uma índia escrava passeava a noite na orla da praia, onde hoje é a praia do Gonzaguinha, quando avistou Ipupiara andando na areia.

O monstro soltava gritos estranhos. A índia voltou correndo e chamou Baltasar Ferreira. Baltasar era o filho do amo da índia, o Capitão-mor da Vila. Mesmo não acreditando na índia, mas sentindo seu desespero, pegou sua espada e, já no local do avistamento, assustou-se com o formato, pouco nítido, encoberto pela escuridão noturna.  Ao se aproximar, Ipupiara tentou fugir e voltar ao mar. Com coragem, Baltazar impediu que o monstro sumisse e, diante dele, perfurou o monstro na barriga. Da ferida, sangue jorrou e mais gritos ouviu-se na tentativa de morder seu oponente. Tamanho barulho acordou os demais que logo chegaram e, aos olhos de todos, jazia o monstro nas mãos da multidão. Levado à praça, a população em polvorosa rodeava aquela carcaça enorme e assustadora.

O nome Ipupiara foi dado pelos índios que significava demônio d’água. Possuía 3,5 metros de altura, braços longos, pés de barbatanas, dentes pontiagudos, o corpo coberto de pelos e focinho com bigode.

O monstro homenageado

A lenda do Ipupiara é tão forte em São Vicente que até construíram um monumento em sua homenagem na Praça 22 de Janeiro. Infelizmente, a estátua pegou fogo em 2016.

O livro História da Província de Sãcta Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, impresso em Lisboa na oficina de Antônio Gonsalues, em 1576, é muito raro, pois continha informações extremamente valiosas sobre a economia da colônia, além dos hábitos indígenas. Assim, a Coroa Portuguesa autorizou a impressão de poucos volumes. Atualmente temos notícia de somente dois exemplares existentes. Um deles está na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

 

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