Sé de Lisboa

Altar da Catedral da Sé em Lisboa – foto: Márcio Masulino

Sé de Lisboa

Também chamada de Santa Maria Maior, a Sé de Lisboa é um Patrimônio Nacional de Portugal, datado do século XII. Sua construção é um marco da reconquista territorial das mãos dos mouros pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, o Conquistador. Entretanto, mesmo com o domínio islâmico em terras lusas, havia cristãos (moçárebes), que praticavam sua fé, bispos e trabalhadores de Cristo.

A reconquista

Em 1147, D. Afonso Henriques e cavaleiros do norte que formavam a Segunda Cruzada, cercaram o Castelo de São Jorge, também em Lisboa, e após três meses conseguiram expulsar os mouros da região. A Segunda Cruzada foi convocada pelo Papa Eugênio III, com o objetivo de reconquistar a Península Ibérica. Os Cruzados normandos, germanos, escoceses, ingleses e flamengos, partiram da cidade de Dartmouth, Inglaterra, em 1145.  Depois de chegarem à cidade do Porto, tomaram Santarém e, posteriormente, Lisboa. Após a derrocada dos morros, alguns Cruzados partiram para a Terra Santa e muitos outros permaneceram em Lisboa. Um deles foi o inglês Gilberto de Hastings, onde se tornou Bispo de Lisboa.

A construção da Sé de Lisboa

No local da antiga mesquita, a construção da Sé de Lisboa deu-se imediatamente a reconquista e relíquias de São Vicente de Saragoça foram trazidas de Alarve, pelo rei Afonso, e depositadas no relicário da futura catedral. Apesar da rapidez com que foi decidida a sua construção, a Sé de Lisboa demorou quase um século para ficar pronta. No final, a Sé contava com três estilos arquitetônicos: românico, gótico e barroco, sendo o românico predominante. Essa mescla de estilos está bem demarcada nas áreas construídas. Assim sendo, o românico está evidente na fachada, no transepto e nave; o gótico está nas capelas, claustro e deambulatório (espécie de corredor que fica ao redor do altar-mor); e o barroco na capela-mor.

Campas nobres

Por muitos séculos as igrejas católicas foram locais de sepultamento, na maioria de clérigos e de nobres. Os mais humildes eram enterrados nos terrenos ao redor das igrejas. Com o passar dos anos e, principalmente, pela falta de espaço dentro das igrejas e mesmo nos terrenos externos, os cemitérios começaram a ser “povoados”. No caso da Sé de Lisboa, além dos clérigos, os únicos laicos enterrados são o Rei D. Afonso IV e sua esposa D. Beatriz.

Terremoto de 1755

Uma das experiências mais assustadoras vividas em Lisboa foi o famigerado terremoto, seguido por um maremoto que dizimou a capital portuguesa. Basicamente, tudo que estava de pé ruiu no dia de Todos os Santos, em 1° de novembro de 1755.

Veja o texto de Voltaire sobre a catástrofe: “Filósofos iludidos, vós, que proclamais: “tudo está bem”, acorrei, contemplai estas ruínas medonhas, estes destroços, estes farrapos, estas cinzas desafortunadas, estas mulheres, estas crianças empilhadas umas sobre as outras, estes membros dispersos sobre os mármores despedaçados; cem mil infelizes que a terra devora, ensanguentados, dilacerados e corpos ainda faltantes, enterrados sob os tetos de suas casas terminando sem assistência alguma, num horror dos tormentos, sua vida lamentável. Lisboa que não mais existe, teria ela mais vícios que Londres, que Paris, mergulhadas no prazer? Lisboa está destruída e dançam em Paris. Repousados espectadores, espíritos intrépidos, a contemplar o naufrágio dos seus irmãos moribundos, buscam tranquilidade as causas do desastre; porém, quando sentem na carne os golpes da sorte inimiga tornam-se mais humanos, choram como nós.” Sobre Le desastre de Lisbonne, 1756. Trecho transcrito no livro A Longa Viagem da Biblioteca Nacional de Lilia Moritz Schwarcz.

Assim como a cidade, a Sé de Lisboa não passou incólume a tanta destruição. A capela-mor, o claustro, a pedra da nave e uma torre foram afetadas.  Sua reconstrução se deu nos anos de 1761 e 1788.

Apesar de tantos séculos, a Sé de Lisboa continua em pé, firme e forte. Alicerçada em suas histórias, atrai o visitante que se deslumbra em todo o esplendor e, porque não dizer, em sua grandiosidade. A Sé é o exemplo da força da fé transformada em edificação. Então, quando visitamos uma igreja do porte da Sé de Lisboa, não entramos apenas uma construção gigantesca. Entramos em espaço único onde o tempo arrefeceu suas rédeas e perpetuou a glória em Deus que abençoa e transcende em toda sua magnitude!

Sé de Lisboa – foto: Márcio Masulino

Onde: Largo da Sé, 1100-585 – Lisboa