Mosteiro dos Jerónimos – Patrimônio Cultural da Humanidade

Área interna do Mosteiro dos Jerónimos – Fotos: Márcio Masulino

Estamos no século XVI, em 1496, no exato momento em que rei D. Manuel I pede à Santa Sé a autorização para construir, às margens do Tejo, um grande mosteiro. O local escolhido já abrigava a igreja de Santa Maria de Belém, onde os marinheiros em viagens eram assistidos pelos monges da Ordem de Cristo, herdeiros dos templários em Portugal.

O rei viabilizou a obra com recursos provenientes do comércio com a África e o Oriente, escolheu a matéria prima a ser utilizada, o calcário de lioz (pedra) que é encontrado em abundância em Lisboa e região, mas infelizmente, não pode estar presente no final da obra, cem anos depois.

Mosteiro dos jerónimosEstilo Manuelino

Refeitório, de abóbada polinervada e abatida, típico do estilo manuelino.

O Mosteiro é considerado o exemplo mais emblemático do estilo manuelino, também chamado de gótico português e, apesar de ter começado no reinado de seu primo D. João II, recebe a referência ao nome de Manuel por ter sido fortemente influenciado pela personalidade e aspirações deste. Exuberância de formas e uma forte interpretação simbólica marcam o estilo.  Houve então, uma euforia construtiva que ajudou a conceber belas construções portuguesas: Torre de Belém, capelas do Mosteiro da Batalha (inacabadas), igreja do Convento de Cristo em Tomar e o claustro do Mosteiro de Alcobaça.

No Brasil, os Gabinetes Portugueses de Leitura (Rio de Janeiro e Salvador) e o Centro Português em Santos são exemplos de prédios neomanuelinos.

São Jerónimo

Mosteiro dos jerónimosA ocupação do Mosteiro foi dada aos monges da Ordem de São Jerónimo, com funções claras como rezar pela alma do rei e guardar pela espiritualidade dos navegantes que dali partiam para terras distantes.

Os monges adotaram hábitos brancos e escapulários castanhos.  Espelhavam-se em Santo Agostinho pelos seus princípios e vivência em comunidade. Orações distribuídas ao longo do dia, jejum, abstinência de carne, penitências, devoção em silêncio e estudo da música sacra faziam parte da cultura da ordem.

A ordem permaneceu no local até 1833, quando foram fechados os conventos e mosteiros de Portugal, em função da revolução liberal iniciada quatorze anos antes.

Veja também a história dos pastéis de Belém iniciada nesta época

Curiosidades

  • O Mosteiro dos Jerónimos cumpria a função de jazigo real e somente eram permitidos o sepultamento, além da realeza, dos religiosos da ordem.
  • Em 1833 o Mosteiro perde, por decreto, sua influência religiosa e social e é entregue à Real Casa Pia de Lisboa, instituição de acolhimento de órfãos, mendigos e necessitados.
  • Algumas características da fachada e do anexo foram modificadas em 1867 e posteriormente em 1878, dando as formas que conhecemos nos tempos atuais.
  • A partir de 1988, o Mosteiro recebe os túmulos de Alexandre Herculano, Vasco da Gama, Luís de Camões, Almeida Garret, entre outras figuras políticas e literárias.
  • Em 1907, o Mosteiro dos Jerónimos recebe o título de Monumento Nacional e, em 1983, o de Patrimônio Mundial pela Unesco.