José Bonifácio, o Patriarca da Independência

José Bonifácio de Andrada e Silva (1783 – 1838)

É árdua a tarefa de resumir tão nobre cidadão que, antes de receber o epíteto de “Patriarca da Independência”, era um legítimo brasileiro, defensor de uma sociedade castigada e fadada a ser um reduto extrativista de Portugal. Como verdadeiro abolicionista, libertou todos os escravos de sua propriedade, o sítio de Outeirinhos, em 1820. Movia- o a visão da integridade nacional. Lutava pela independência brasileira como um todo, com a inclusão dos índios, a reforma agrária com a extinção dos latifúndios improdutivos.

Também era contra o analfabetismo e, para isso, queria a educação primária para todos. Defendia a criação de mais institutos educacionais de 3º grau, colocando em pauta a luta social na justiça brasileira. Foi preso, exilado e depois se tornou o tutor do imperador D. Pedro II. Seus pensamentos amadurecidos principalmente por sua trajetória na Europa fizeram dele um visionário que sabia do potencial do Brasil como um país com capacidade de se desenvolver sem os laços opressivos da Coroa portuguesa.

Bonifácio foi para o Brasil o cidadão mais influente de sua época e transformou toda a sua teoria em realidade. Seus percalços, que enfrentou com um desprendimento altruísta, foram superados com dignidade, sempre fazendo valer suas intenções. Ocupando os mais altos cargos, combateu as intrigas e fez reverberar todo o patriotismo que carregava dentro de si.

Cursou Direito e Filosofia Natural na Universidade de Coimbra; foi pioneiro na proteção das mulheres grávidas; em Paris, estudou Mineralogia e Química; na Saxônia, formou-se em Metalurgia, Mineralogia, Geologia e Orictognosia; na Suécia, foi membro da Real Academia de Ciências de Estocolmo, e recebeu a Cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra. Foi precursor da ecologia, ao escrever sobre a importância do reflorestamento de Portugal.

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva (1773 – 1845)

Irmão de José Bonifácio, foi juiz, desembargador e político, e, com o pseudônimo de “Philagiosetero”, publicou vários artigos em prol da independência do Brasil. Mais conhecido no meio político como Andrada Machado, lutava contra o despotismo colonial. Formado pela Universidade de Coimbra em Filosofia e Direito, ficou preso durante quatro anos por sua participação na Revolução Pernambucana, em 1817. Deputado na Assembleia Constituinte de Lisboa, sempre defendeu o Brasil e representou São Paulo na Assembleia Constituinte brasileira de 1823. É exilado no mesmo ano, após romper com D. Pedro I que dissolvera a Constituinte. Retorna ao Brasil em 1828. Como deputadogeral do Estado de São Paulo, participa do Movimento da Maioridade de D. Pedro II. Foi também Ministro do Império em 1845, por Pernambuco.

 

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