Há uma Serra Catarinense que se revela entre uma subida e uma pausa para recuperar o fôlego. Nela, os campos se estendem para além das cercas, as araucárias desenham o horizonte e as estradas rurais aproximam o viajante de fazendas e pequenas comunidades. De bicicleta, esses intervalos ganham espaço na viagem: uma porteira, um casarão antigo ou uma curva deixam de ser apenas paisagem de passagem.
É por esse território que avança o Circuito de Cicloturismo da Serra Catarinense, com aproximadamente 600 quilômetros e nove municípios conectados. O percurso completo tem duração sugerida de 11 dias, mas há duas alternativas mais curtas, de quatro e sete dias. A proposta é reservar tempo para conhecer a região enquanto se pedala, com paradas para comer, dormir e explorar os caminhos.
Lages, Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro, Urubici, Urupema, Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Painel compõem o mapa. São nomes que ajudam a imaginar uma viagem de altitude e que, reunidos em um roteiro, revelam as distâncias e as relações entre cidades muitas vezes visitadas separadamente. O circuito transforma esses deslocamentos em parte central da experiência.
Cerca de 80% do trajeto passa por estradas rurais ou de chão batido, segundo a Prefeitura de Lages. Há trechos dentro do Parque Nacional de São Joaquim e pontos que chegam a aproximadamente 1.700 metros de altitude. O relevo faz parte do convite e também do desafio. É preciso disposição para enfrentar as subidas e tempo para percorrer cada etapa sem transformar o dia em uma corrida.
Ao longo da rota, vinhedos, pomares de maçã e fazendas históricas acrescentam outras possibilidades ao pedal. Uma visita agendada, uma refeição ou uma noite em uma propriedade rural podem orientar a escolha do próximo destino. Para quem planeja a viagem, isso significa combinar a leitura do mapa com as experiências disponíveis e deixar espaço na agenda para prolongar as paradas.
A história também acompanha a bicicleta. Corredores de taipas e casarões seculares registram a presença da cultura tropeira nas propriedades rurais. Essas construções dão outra dimensão à travessia: antes de receber ciclistas, os caminhos já faziam parte da circulação de pessoas, animais e mercadorias pela serra. Hoje, ajudam a reconhecer uma identidade que permanece no território.
Na etapa entre Lages e Bocaina do Sul, o guia oficial descreve a passagem do ambiente urbano para estradas de terra, campos de criação de gado e áreas agrícolas. Depois, o percurso alcança florestas e fazendas ao longo da antiga Estrada dos Tropeiros. É uma mudança gradual de cenário, acompanhada no ritmo das rodas e das pausas escolhidas pelo viajante.
Entre Bocaina do Sul e Rio Rufino, pequenas propriedades aparecem no início do caminho. Mais adiante, o terreno fica íngreme, e o trajeto atravessa florestas antes de acompanhar trechos do rio Canoas e suas matas ciliares. A variedade ajuda a entender por que a distância entre duas cidades, sozinha, diz pouco sobre um dia de cicloturismo: relevo, piso e paradas também determinam a jornada.
Para quem dispõe de uma semana, o Circuito Taipas sai de Lages e passa por Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro e Urubici. O retorno segue por Barreiro, em Urupema, e por Painel. Já o Altos da Serra propõe quatro dias, conectando Bom Jardim da Serra, São Joaquim e localidades rurais de Urupema e Urubici, antes de voltar ao ponto de partida.
A hospedagem entra nessa escolha como parte do roteiro. Durante uma ação de integração, empreendedores e representantes das instituições envolvidas visitaram estabelecimentos como as pousadas Alma do Campo, Alma da Serra, Passo do Tatu e Vale Mandaçaia, além das fazendas do Barreiro e da Chapada. A rede reúne mais de 40 negócios cadastrados para receber os visitantes, aproximando o pedal dos serviços e da vida cotidiana da região.
O circuito é autoguiado, com arquivos de navegação e materiais de orientação disponíveis no site oficial. Isso dá liberdade para organizar a viagem, mas exige estudar cada etapa. O guia ressalta que as estradas escolhidas nem sempre correspondem à ligação mais direta entre as cidades. Por isso, traçar uma rota apenas pelo nome do próximo município pode afastar o ciclista do percurso proposto.
A organização informa que o roteiro não é indicado para iniciantes, em razão do esforço exigido pelas subidas. Encurtar a viagem para quatro dias não elimina essa característica. Antes de escolher o circuito, é importante avaliar o preparo de cada participante diante das distâncias e dos perfis de elevação, além de organizar hospedagem, refeições e eventual apoio para os deslocamentos.
Água, lanche, ferramentas e peças sobressalentes devem acompanhar o ciclista. Agasalho e proteção contra a chuva também entram na bagagem, mesmo no verão. A orientação do guia é distribuir o peso na bicicleta, usando bolsas ou alforjes, e analisar os mapas diariamente. No trecho da BR-282 previsto na primeira etapa, o material pede atenção redobrada por causa do tráfego intenso.
Lançada oficialmente em dezembro de 2025, a rota foi estruturada com a participação de municípios, Amures (Associação dos Municípios da Serra Catarinense), Cisama, Conserra e Sebrae/SC. O projeto busca ampliar a circulação de visitantes e conectar hospedagens, bares, restaurantes e outros pequenos negócios ao longo do caminho.
Para começar o planejamento, o site do circuito reúne o guia e os arquivos GPX, usados na navegação por GPS. O passaporte da viagem pode ser retirado nas entradas oficiais de Lages, Urubici e Bom Jardim da Serra e receber carimbos durante o percurso. Entre uma etapa e outra, ele guarda o registro das paradas que dão forma à travessia.
Informações: www.circuitoserracatarinense.com.br
Texto por agência com edição de Rebeca Dias
Crédito: Divulgação
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