História do Porto de Santos

Vista aérea do armazém 30 – cais do Macuco – 1957

A história do Porto de Santos – Vocação natural para cidade de entreposto

Para entendermos melhor por que o Porto de Santos conquistou seu lugar de destaque ao longo da história do Brasil, precisamos conhecer a geografia local. Quando da chegada da armada de Martim Afonso de Sousa à Ilha de São Vicente, observou-se que esse não seria o melhor local para o desenvolvimento do comércio marítimo por se tratar de área espraiada. Brás Cubas, após um reconhecimento do local, percebeu que, se transferissem o porto para o interior do estuário, no Lagamar do Enguaguaçu, os navios atracados ficariam mais protegidos das intempéries e de ataques de piratas, pois o maciço de São Vicente formado pelos morros representava um abrigo ideal; assim se consolidou o primeiro trecho do que viria a ser o maior porto do país.

Valongo

Esse local ficou conhecido como Valongo (local de venda de escravos). A ilha era chamada pelos índios de Goaió, que significa “lugar de fornecimento de provisões”. Antes mesmo de Brás Cubas organizar o local, surgiu a vocação de cidade como um entreposto, dadas suas características favoráveis ao comércio marítimo. Com seu solo de difícil manuseio para a agricultura devido a terras alagadiças e salobras, Santos abraçaria essa vocação e faria dela seu sustento social e econômico.

Remanescente da época dos tropeiros local para amarrar montaria

Calçada de Lorena

Com a expansão do açúcar no interior do estado de São Paulo, o governador Bernardo José Maria de Lorena entendeu que era necessária a abertura de um caminho mais adequado para a chegada da produção ao porto de Santos. Inaugura então em 1792 a “Calçada do Lorena” para que os muares (mulas) pudessem transitar sem os infortúnios de uma simples trilha. “Trata-se do primeiro corredor de exportação brasileiro” (Wilma Therezinha F. de Andrade). Lorena também exigiu que o açúcar produzido no litoral norte do estado não fosse mais para o porto do Rio de Janeiro, mas que viesse para o porto de Santos.

Trapiches

Os antigos atracadouros eram os chamados trapiches, feitos de madeira, verdadeiras pontes que ligavam a terra firme aos navios ancorados. Eles começaram a ser demolidos por volta de 1892, com a organização do porto. Existiam os trapiches Belmarço, Paquetá, Brasil, o da Alfândega que era o maior, Augusto Leuba & Cia., Roberta Dale, entre outros.

 

Praia da Rampa do Consulado – Porto de Santos, 1882 – óleo sobre tela Benedicto Calixto

O porto maldito

No início do século XIX, com a peste atacando maciçamente o povoado de Santos, Vicente de Carvalho (santista), então secretário do Interior do Estado, em 1892, começa a se mexer para solucionar o grave problema que poderia vir a afetar o porto, levando-o a talvez ser fechado e sua movimentação transferida para São Sebastião. Para se ter uma noção exata do problema, com 30 mil habitantes, a taxa de mortalidade chegava aos alarmantes 11,87%. Foram 60 anos de grande angústia para os moradores da cidade. Com isso todo o fluxo da imigração não permanecia em Santos e região, sendo quase que imediatamente transferida para o planalto e o interior do Estado. Esse quadro não se alterou até que Saturnino de Brito entrou na história e o reverteu com seu genial plano de saneamento e urbanização da cidade e concomitantemente do porto, por meio da construção dos canais.

Decreto n° 9979 de 12 de junho de 1888 – Documanto da Concessão para o novo Porto de Santos

Porto organizado

Em 1888, os senhores José Pinto de Oliveira, Cândido Gaffrée, Eduardo Palassin Guinle, João Gomes Ribeiro de Aguilar, Alfredo Camilo Valdetaro, Benedito Antônio da Silva e Barros e Braga & Cia. ganham a concorrência para exploração do porto por noventa anos. Então, em 1889, é criada a Empresa das Obras de Melhoramentos do Porto de Santos. Em 7 de novembro de 1890 é assinado o Termo de Concessão com a criação da Companhia Docas de Santos.

Em 1892 foram concluídas as obras dos 260 metros de cais, sendo inaugurado assim o primeiro trecho de porto organizado do país, com a atracação do navio inglês Nasmith.

1892 – O navio inglês Nasmith atracado nos primeiros 260 metros de cais construídos

 

 

 

 

 

Renata Weber Neiva

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