Quando passeamos pela orla das praias de Guarujá, podemos vislumbrar a ousadia de cada construção. Já sabemos que “ousadia” é o adjetivo certo para os arquitetos que aqui fizeram de seu trabalho uma grande festa, podendo inovar, atribuir, agregar, enfim, se libertar. Desde o início com uma Vila inteira importada dos Estados Unidos, essa cidade foi um grande laboratório de experiências que deram muito certo. Contamos com elementos de madeira, concreto armado, ladrilho hidráulico, ferro, e mais tantas inovações modernas, que juntos formam um grande estilo.
Nos edifícios temos o Sobre as Ondas, Pitangueiras e Monduba, exemplarmente feitos para a sua localização com todos os traçados dispostos para a contemplação do mar. A praia de Pitangueiras segue o estilo modernista adaptado aos moldes praianos, com revestimento de pastilhas e grandes halls de entrada e teto alto para a brisa proporcionar ambientes agradáveis. Muitos desses edifícios eram o que hoje chamamos de apart hotel, ou seja, sempre inovando. Já na praia da Enseada temos os casarões e mansões com um despojamento de linhas e materiais utilizados, ao bel-prazer dos que gostavam de criar um novo estilo.
Uma construção em particular sempre, até os dias de hoje, chama a atenção e porque não dizer que até virou uma atração turística, como a antiga casa do Silvio Santos. Futurista para os olhares caiçaras, modernista para os entendidos, se tornou um ícone do arrebatamento criativo do litoral paulista. Outro exemplo que temos de grande relevância é a projeção das casas em cimento branco da praia de Pernambuco. Vários nomes da arquitetura por aqui deixaram suas assinaturas em projetos formadores de opinião como: Eduardo Longo, Rino Levi, Oswaldo Correa, entre outros.
EDIFÍCIO SOBRE AS ONDAS
Construído onde antigamente estava o Hotel Orlandi, no promontório entre as praias de Pitangueiras e Astúrias, o Edifício Sobre as Ondas é um marco na arquitetura de Guarujá. O ideal de ter uma moradia de frente ao mar, juntamente com o glamour de uma cidade requisitada pela alta sociedade brasileira, fez com que o médico e advogado Dr. Antonio Roberto Alves Braga e seu amigo arquiteto Oswaldo Corrêa, planejassem a construção do edifício. Com experiência comprovada, junta-se aos dois amigos o arquiteto Jayme Campello Fonseca Rodrigues.
Com o projeto aprovado em 1945, o edifício foi uma das primeiras construções de arquitetura moderna do litoral do Estado de São Paulo. Exemplo disso é a curvatura que “abraça o mar” e o terraço coberto no térreo, grande influencia de Oscar Niemeyer. Composto de 44 apartamentos, restaurante (com um painel da artista plástica Lise Forrel), playground, salão de jogos, mezanino e jardins. Todos os detalhes foram pensados em motivos marinhos utilizando tons de azul. A grande obra ficou pronta em 1951 e se tornou um sucesso, com todas as unidades vendidas rapidamente. Esse projeto foi exposto na Trienal de Milão e ganhou prêmio no IV Congresso Pan-americano de Arquitetura de Lima, Peru.
Associação de Caridade Instituto Santa Emília
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