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Recente descoberta: Barbacenia rupestris (Velloziaceae) foi identificada na Serra do Espinhaço

Mais de 23 novas espécies de plantas foram identificadas na Serra do Espinhaço, no norte de Minas Gerais, ao longo de quatro anos de pesquisas científicas. No período, equipes catalogaram mais de 270 variedades de plantas na região, incluindo exemplares inéditos para a ciência. As descobertas serão reunidas em um livro digital previsto para lançamento em outubro, resultado de expedições apoiadas pelo Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – que é financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega para Clima e Florestas (NICFI) e tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestor técnico e financeiro.

A Serra do Espinhaço foi reconhecida em 2005 como Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por sua grande biodiversidade. E, segundo estudos recentes, a região possui mais de 7 mil plantas, das quais mil ocorrem somente lá. O pesquisador Renato Ramos explica que a área tem um enorme potencial de descobertas e que, até o final de 2026, muitas outras raridades devem ser fotografadas e documentadas durante o mapeamento da flora local.

“É uma região extremamente rica, mas sobre a qual não se tinha muito conhecimento. Identificamos que ali havia uma lacuna e com o apoio do COPAÍBAS e do FUNBIO, fomos a campo e iniciamos o trabalho.  Muitas das espécies encontradas eram novas, não tinham nome, não eram conhecidas pela ciência”, diz Ramos, que está editando a publicação e espera conseguir financiamento para publicação do livro em versão impressa.

Uma das mais recentes descobertas foi a Barbacenia rupestris (Velloziaceae), uma flor magenta enraizada em um paredão com pinturas pré-históricas. O nome é uma homenagem ao sítio arqueológico preservado, e ainda carente de estudos, em que foi encontrada. A descoberta aconteceu durante uma expedição viabilizada com recursos do Programa COPAÍBAS e do Pró-Espécies, primeiro programa implementado pela Agência GEF FUNBIO, com interação ao Plano de Ação Territorial (PAT Espinhaço Mineiro) para conservação de espécies ameaçadas de extinção. Barbacenia rupestris se junta a um grupo de mais de 20 novas espécies de plantas que foram identificadas nas regiões de Monte Azul e Rio Pardo de Minas, abrangendo, principalmente, as Serras das Marombas e Serra Nova, desde 2022.

Danilo Zavatin, doutorando em Botânica na USP e um dos pesquisadores da expedição, relembra que chegou com apoio do Pró-Espécies à região em outubro de 2022 e logo em seu primeiro dia de campo encontrou uma espécie nova em Monte Azul. “A primeira planta que eu encontrei era uma planta nova, um parente da azeitona. Foi batizada de Chionanthus monteazulensis, porque foi descoberta no dia do aniversário da cidade de Monte Azul”, diz Zavatin.

Algumas das descobertas foram realizadas no Parque Estadual (PE)Caminho dos Gerais e no PE Serra Nova e Talhado, ambos apoiados pelo Programa COPAÍBAS. É o caso da Calea riopardensis, assim batizada em homenagem ao município Rio Pardo de Minas, onde fica a sede de uma das Unidades de Conservação, da Calea strigosa e da Lippia aonae, de pequeno porte, com folhas aromáticas e flores delicadas.

Outras descobertas foram as espécies Wedelia riopardensis (Asteraceae), encontradas dentro do PE Serra Nova e Talhado, Staelia fimbriata (Rubiaceae) e Eriope carpotricha (Lamiaceae). A Staelia fimbriata, da família do café, é um pequeno arbusto adaptado aos solos arenosos e pobres da região, conhecidos como “areais”. A Wedelia riopardensis, espécie de margarida de flores amarelas, recebeu seu nome em homenagem a Rio Pardo de Minas, local de sua identificação inicial. Já a Eriope carpotricha destaca-se por ser uma nova espécie de árvore, rara, que ocorre em áreas de transição entre Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, apresentando tricomas (estruturas parecidas com pelos) únicos nos frutos e sementes.

Com previsão de cerca de 500 páginas, a edição trará fotos de Danilo Zavatin, doutorando em Botânica na Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores da expedição. Há quatro anos Danilo tem percorrido a área com outros cientistas. Na empreitada, ele tem contado com a ajuda de moradores e de funcionários do Instituto Estadual de Florestas (IEF) no trabalho de campo. “Muitos dos achados são fora de áreas protegidas, mas os funcionários dos Parques Estaduais, bem como as comunidades do entorno, vão a campo junto com a gente e nos auxiliam demais”, diz.

A engenheira florestal Elizabeth Neire, presidente do Instituto Rupestris, que está apoiando a edição do livro, acredita que a publicação, ao divulgar as belezas da flora local, terá um importante papel na conservação da região. O livro, em formato e-book, está previsto para ser lançado em outubro. Ao todo, já foram realizadas cerca de 1.300 coletas com o apoio do COPAÍBAS. As descobertas ganharam destaque no cenário internacional com a publicação de artigos científicos em publicações estrangeiras.

Todo o trabalho foi iniciado a partir das pesquisas de Ramos, com uso de tecnologias de big data para identificar lacunas de conhecimento e, a partir daí orientar ações em campo. Mais de 140 cientistas, entre brasileiros e estrangeiros estão envolvidas no projeto do livro.

Sobre o Programa COPAÍBAS

O Programa COPAÍBAS – Comunidades Tradicionais, Povos Indígenas e Áreas Protegidas nos Biomas Amazônia e Cerrado – tem como objetivos reduzir a taxa de desmatamento e conservar florestas, contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas e a melhoria das condições de vida de povos indígenas e populações tradicionais. COPAÍBAS atua em quatro eixos estratégicos: fortalecimento das Unidades de Conservação no Cerrado, apoio à gestão territorial e ambiental em Terras Indígenas na Amazônia e no Cerrado, promoção de diálogos sobre temas ligados às mudanças climáticas junto aos representantes do sistema de justiça brasileiro e o fortalecimento das cadeias de valor e arranjos produtivos locais. A iniciativa tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como gestor técnico e financeiro e a Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI) como financiadora.

Texto por agência com edição de Isadora Lacerda

Imagem destaque por Danilo Zavatin

Claudio Lacerda Oliva

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