Piratas e corsários na Rio-Santos. O clima romântico que cerca os piratas e os corsários esconde a realidade de tripulações cruéis e sem escrúpulos que, desde a antiguidade, assolam os sete mares. A pirataria sempre foi um dos maiores obstáculos da economia global e, com ela, nações são destruídas.
Com a descoberta do ouro nas Américas, no século XVI, o Atlântico viu-se recheado de ladrões dos mares. Com a série de filmes Piratas do Caribe foi possível conhecer um pouco mais desse universo, logicamente com o toque do glamour hollywoodiano. No litoral dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, muitos desses invasores vieram com força total, acabando com vilas inteiras e deixando em seu rastro um clima de mistério que até os dias de hoje nos deslumbra.
Exemplos dessas impetuosas visitas não foram esquecidos, principalmente na Ilha Grande e em Ilhabela. Essas ilhas eram portos seguros para abastecer os navios com água potável e víveres pilhados dos habitantes. Constantemente, esses abrigos naturais serviam de escudo para o desembarque de contrabando e como esconderijo de tesouros roubados.
A pirataria dessa época era regida por códigos de honra e uma disciplina inconteste. O Atlântico Sul foi palco de muitas investidas e tragédias, tamanha a crueldade desses algozes.
Em Ilhabela, reza a lenda de que o povoado da praia do Bonete, composto de pessoas de olhos claros, é descendente de incursões piratas na ilha.
Um refúgio para embarcações, esta praia situada na Ilha Grande foi local de desembarque de piratas e traficantes de escravos. A pedra da Espia era o local de vigilância dos infratores.
Possível local onde foi enterrado o Tesouro de Trindade (Tesouro de Monte Cristo), riqueza esta roubada por corsários dos galeões espanhóis repletos de ouro e prato do Peru. Até hoje existe uma busca frenética pelo tesouro em várias ilhas no Atlântico brasileiro e o local com mais consistência de sua existência é o saco do Sombrio.
O convento em seu lugar inicial era na parte mais baixa do centro de Angra dos Reis, por um ataque pirata de Jean-François Duclerc, os franciscanos tiveram que mudar para um local mais alto, longe das balas de canhões de futuros ataques. Conta a lenda que quando do ataque de Duclerc à vila de Angra, o próprio São Bernardino agarrou com as mão uma bala de canhão, evitando assim a morte de muitos habitantes.
Na baía da Ilha Grande, a ilha Jorge Grego foi refúgio do corsário grego após um naufrágio.
Perseguiu a canoa onde estava o Padre Anchieta que teve que atracar em Ilhabela para se esconder e atacou a vila de Santos.
Após naufrágio, Knivet, tripulante de Thomas Cavendish, virou escravo da família Correa de Sá e conseguiu sobreviver aos índios em Ilhabela. Teve seu relato publicado em “As incríveis aventuras e estranhos infortúnios de Anthony Knivet”.
Corsário a serviço do governo inglês atacou em 1591, Ilha Grande e planejou todo o ataque a Santos, em Ilhabela. Devastou todas as vilas que encontrou pela frente e assassinou de forma cruel seus habitantes, poupando poucos.
Corsário francês e comandante de uma armada destinada a atacar o Rio de Janeiro para saquear navios portugueses que levariam o ouro de Minas Gerais a Portugal. Duclerc foi preso no Rio de Janeiro e assassinado de forma misteriosa.
Até hoje, em Ilhabela, onde este pirata português se estabeleceu, é possível encontrarmos escavações e mais escavações feitas ao redor de sua antiga casa por caçadores de tesouros. Há uma trilha para chegarmos às ruínas desta antiga fazenda de cana-de-açúcar e traficante de negros, porém há de se tomar cuidado, só vá de dia e com guia. Onde: Fazenda da Toca – Ilhabela.
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