No Dia do Enólogo, Setur-SP destaca turismo e produção de vinhos no estado

“O vinho não é apenas uma bebida, é uma celebração da vida”, diz a frase. Nesta quinta-feira (22), Dia Nacional do Enólogo, a homenagem é dedicada aos profissionais que trabalham na produção da bebida, desde a colheita das uvas até o vinho que chega às taças dos consumidores. São eles que acompanham etapas fundamentais para garantir a qualidade, os aromas e as características de cada safra.

O Brasil consumiu 440 milhões de litros de vinho em 2025, segundo dados citados para o setor. No primeiro semestre de 2026, o mercado nacional movimentou R$ 9,8 bilhões. O estado de São Paulo tem 86 vinícolas registradas e concentra 26% do consumo nacional da bebida. Também ocupa a sexta posição no ranking brasileiro de consumo per capita, com média de 1,64 litro por habitante.

Para apresentar os destinos paulistas ligados à produção vinícola, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou, no início de 2026, a segunda edição do guia Rotas do Vinho de São Paulo. A publicação reúne informações sobre regiões produtoras e experiências enoturísticas. Nesta matéria, três apreciadores e conhecedores da bebida compartilham suas experiências e preferências.

Com trajetória ligada à enologia e formação especializada em La Rioja, na Espanha, a professora Tarina Lenk, do campus São Roque do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), acompanha de perto o desenvolvimento do enoturismo paulista. Ao lado do marido, também se dedica ao universo do vinho.

Na entrevista, ela comenta a produção e as experiências turísticas de três municípios paulistas: Espírito Santo do Pinhal e Jundiaí, classificados como Municípios de Interesse Turístico (MITs), e São Roque, que é uma estância turística.

Tarina diz buscar experiências enoturísticas autênticas, “que envolvem mulheres, bons produtos, que surpreendem na ação e que têm um valor de venda acessível”. Alguns de seus alunos já são proprietários de vinícolas, e a professora costuma levar as turmas para visitas guiadas.

Sobre suas preferências, afirma que não é muito exigente na escolha dos vinhos, mas destaca dois tipos: “Valorizo um bom Chardonnay e um Pinot Noir”. Como sugestão, cita o Lorena, variedade que, segundo ela, representa bem a adaptação da vitivinicultura à região de São Roque, onde reside.

O engenheiro e empresário Carlos Scheliga mora na capital paulista. Conta que se tornou apreciador de vinhos à medida que passou a conhecer melhor a bebida, incentivado também pelas dicas de uma amiga sommelière.

Para ele, “o vinho bom para cada um é aquele que se gosta de beber, aquele que nos faz mais felizes”. Scheliga observa que a familiaridade com a bebida costuma crescer com o hábito. Muitas pessoas começam pelos vinhos doces ou suaves, de perfil menos complexo, e, com o tempo, passam a experimentar outras variedades de uvas, vinhos mais elaborados, varietais e cortes (blends), nacionais ou estrangeiros.

Ao falar da produção paulista, ele destaca regiões tradicionais, como São Roque e Jundiaí, onde os vinhos de mesa convivem com o avanço dos vinhos finos. Também menciona a introdução de variedades de uvas de outras regiões produtoras, como a Serra Gaúcha, em áreas como a Serra da Cantareira, ampliando as possibilidades de desenvolvimento de novos terroirs — conjunto de condições naturais e humanas que influenciam as características de um vinho.

Em São Roque, a uva BRS Lorena, desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves (RS), é utilizada na produção de vinhos brancos e espumantes aromáticos, com notas que podem remeter à família dos moscatéis. Já Jundiaí mantém a tradição dos vinhos de mesa, produzidos com uvas como Niágara, Isabel e Bordô, e cultiva também variedades utilizadas na elaboração de vinhos finos, como Cabernet Sauvignon, Syrah e Tannat.

O músico e compositor gaúcho Jairo Cechin vive em São Roque com a esposa, a cantora Lia Cordoni. Nascido em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, região de tradição vitivinícola, ele se define como alguém que aprecia a bebida, embora não se considere um grande conhecedor.

“Não sou um grande conhecedor de vinho, sou mais um bom bebedor de vinho”, afirma. Na infância, conta, tomava o que chama de “suco de vinho”. De família de origem italiana, cresceu em um ambiente no qual a bebida fazia parte das refeições. Seu pai mantinha um garrafão de vinho ao lado da mesa e servia a bebida à família. “Eu me criei tomando vinho e estou vivo!”, costumava dizer. A família tinha terras e produzia uvas destinadas às vinícolas locais.

Já na vida adulta, depois de se mudar para São Paulo, Jairo desenvolveu suas preferências. Gosta de Cabernet Sauvignon para acompanhar carnes e queijos, por seus sabores intensos e taninos marcantes. Nos momentos de lazer, prefere o Chardonnay, que considera mais leve e aromático.

Ao avaliar os vinhos de São Roque, Cechin considera que a produção local tem perfil mais popular e que ainda há espaço para ampliar a oferta de rótulos de maior complexidade. Para ele, a bebida também está ligada à memória afetiva: “O vinho é uma bebida que traz recordações e que te remete a lugares”.

Três cidades paulistas e seus vinhos

Segundo Tarina Lenk, Espírito Santo do Pinhal tem projetos relativamente recentes de vitivinicultura, com investimentos em vinícolas, inclusive de grande porte. O município oferece experiências como wine bars, harmonizações gastronômicas e visitas guiadas, além de casarões históricos abertos à visitação.

Em Jundiaí, conhecida como “Terra da Uva”, o bairro do Caxambu concentra parte importante dos atrativos da Rota da Uva e do Vinho. A cidade preserva a influência da colonização italiana e a tradição de produção de vinhos em propriedades familiares.

Entre as uvas cultivadas na região estão Niágara, nas variedades rosada e branca, além de Bordô, Isabel, Seibel, Máximo e Corbina. Para quem visita a cidade, há estabelecimentos que oferecem visitas guiadas, degustações e venda direta de vinhos.

São Roque, por sua vez, tem uma história ligada à produção de vinhos desde o século XVII e figura entre os principais destinos paulistas para quem deseja conhecer vinícolas. Além das visitas e degustações, a cidade oferece experiências gastronômicas que combinam o vinho com outros produtos locais, como a alcachofra, cuja temporada, segundo Tarina, amplia as possibilidades de harmonização.

Serviço

Distâncias a partir da capital paulista: Espírito Santo do Pinhal, aproximadamente 190 km; Jundiaí, 55 km; e São Roque, 69 km.

Outros destinos paulistas com produção de vinhos incluem Louveira, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Cravinhos.

Enólogo, sommelier e enófilo: qual é a diferença?

Embora os termos sejam relacionados ao universo do vinho, eles designam atividades distintas.

Enólogo: profissional especializado na produção de vinhos e derivados. Atua em diferentes etapas do processo, do acompanhamento das uvas à elaboração e ao engarrafamento da bebida.

Sommelier: profissional que trabalha com a seleção, a conservação e o serviço de vinhos, orientando clientes e promovendo a harmonização com alimentos.

Enófilo: pessoa que aprecia e estuda vinhos por interesse pessoal, sem necessariamente atuar profissionalmente no setor.

Texto por agência com edição de Rebeca Dias

Foto por Éric Ribeiro / Setur-SP

Claudio Lacerda Oliva

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