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Muros de taipa e a arquitetura nas Serras Catarinense e Gaúchas

Muros de taipa desenham as Serras Catarinense e Gaúcha – Foto Marcio Masulino

Construções que contam a história

As casas que marcam um estilo nas Serras Catarinense e Gaúcha são diferentes das construções históricas que encontramos na maioria das cidades litorâneas. Primeiro, porque nas casas litorâneas o período de colonização dista quase dois séculos de diferença. Segundo, que os materiais encontrados no litoral eram a pedra, a cal e o óleo extraído da baleia. Já nas terras de cima, o material encontrado mais facilmente era a madeira. E quanta madeira, se pensarmos na imensidão de araucárias existentes nos campos de altitude! Essa madeira, na época da colonização da região, foi o principal elemento construtivo. Então, aliando a madeira às técnicas de edificação dos colonizadores que vinham das terras frias da Europa, temos o chamado estilo arquitetônico enxaimel, em destaque nas cidades de Gramado, Canela e Nova Petrópolis. As edificações em estilo enxaimel eram erguidas com uma estrutura de madeiras encaixadas e com os vãos preenchidos com tijolos ou taipa. As madeiras podiam ou não ficar aparentes. Normalmente, os telhados possuíam acentuada inclinação para que não houvesse acúmulo de neve.

Muros de taipa

Confeccionados em pedras de basalto encaixadas, esses muros não ultrapassam um metro de altura e podemos vê-los em toda a Serra Catarinense. Essas construções eram feitas para dividir propriedades, indicar caminhos e para a contenção do gado. Possuem mais de 100 anos e hoje são um marco da cultura tropeira da região. É possível vermos os muros de taipa no caminho que as tropas de mulas montadas por tropeiros cortavam na cidade de Bom Jesus, e na chegada à cidade de Urupema.

Museu Memória dos Imigrantes Alemães em Bom Retiro/SC – Foto: Márcio Masulino

Madeira

Além do estilo enxaimel, outra construção típica era o chalé em madeira de araucária. Ainda podemos ver muitos deles resistindo ao tempo e à modernidade. Eles dão um toque especial, mesclando o passado e o presente. Atualmente, com as leis ambientais, não é mais permitido usar a araucária e a canela para construção, então a saída é a utilização de materiais convencionais e estilizar para dar continuidade à composição urbanística local.

Casa da Pedra em Canela, datada de 1953.

Pedra basáltica

Além da madeira, outro elemento construtivo da região das serras é a pedra basáltica. Podemos observar construções datadas do início do século XX, como templos religiosos e edifícios públicos, utilizando-as, a exemplo da Casa da Pedra, datada de 1953, erguida pela Associação Rural de Canela. Construída em pedra basáltica, originalmente seu interior era revestido em madeira. Possui área de 700 m².  Hoje, abriga um teatro com 200 lugares.

Onde: Av. Osvaldo Aranha, 30 – Canela.

Castelinho do Caracol

Castelinho do Caracol (1915), em Canela/RS

Construído entre 1913 e 1915, por Pedro Carlos Franzen e sua esposa, Luíza Sommer, é considerado uma das primeiras residências de Canela. Inicialmente, foi edificado com madeira de araucária. Podemos visitá-lo e conhecer os hábitos e costumes da época em seus dezoito ambientes, admirando todas as técnicas de construção em madeiramento.

Onde: Rodovia RS-466, km 3 – (54) 3278-3208 – Canela

Marcio Alves

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