Programação reúne bordados, colagens, pinturas e fotografias que atravessam religiosidade, memória e expressões culturais afro-brasileiras
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, segue em outubro com duas exposições em cartaz que reafirmam a potência das narrativas afro-brasileiras e indígenas no campo da arte contemporânea: “Como a Terra Respira”, primeira mostra individual da artista Isa do Rosário em São Paulo, e “Orquestra”, do fotógrafo pernambucano Xirumba, reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco.
A exposição, com curadoria de Ariana Nuala e Rosa Couto, apresenta cerca de vinte obras organizadas em três núcleos: Orixás, Serpentes e Negritude/Religiosidade. Bordados, colagens, pinturas sobre tecido e técnicas artesanais como a confecção de bonecas abayomi compõem um conjunto que investiga símbolos da religiosidade afro-brasileira, da terra e das águas.
Entre os trabalhos estão obras inéditas e já consagradas dedicadas aos orixás, além de criações que exploram serpentes, rios e mantos sagrados. Para Isa, “as serpentes, ao penetrarem e remexerem o solo, têm o poder de fazer a terra respirar”.
Após participações em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Sesc Vila Mariana e na Bienal de Liverpool (2023), Isa do Rosário alcança um marco em sua trajetória com sua primeira individual em um museu. Em cartaz até dezembro, a mostra propõe novas formas de narrar memória e fabulação a partir da arte têxtil.
Fotógrafo olindense com mais de cinco décadas de atuação, Arlindo de Souza Amorim, o Xirumba, construiu uma obra que transcende o registro documental. Em “Orquestra”, sua fotografia é apresentada como composição coletiva: cada rosto, cada gesto e cada corpo em movimento compõem uma cadência maior.
Com curadoria de Ariana Nuala e Rosa Couto, a mostra traz imagens ligadas ao projeto Terra Maracatu, destacando mestres e mestras que preservam tradições como o maracatu rural, cavalo marinho e a ciranda. Entre eles estão Anderson Miguel, Barachinha e Salustiano, além das vozes femininas de Dona Selma do Coco e Lia de Itamaracá e a poesia de Miró da Muribeca.
Para Xirumba, a rua é partitura essencial: é nela que a fotografia encontra o batuque coletivo e se torna extensão da memória popular. A exposição, em cartaz até 27 de dezembro na Marquise do Parque Ibirapuera, reafirma a imagem como espaço de resistência e invenção.
Exposição: Como a Terra Respira – Isa do Rosário
Curadoria: Ariana Nuala e Rosa Couto
Em cartaz até 22 de fevereiro de 2026
Local: Museu Afro Brasil Emanoel Araujo – Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, Parque Ibirapuera, Portão 10 – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Vila Mariana, São Paulo/SP | CEP 04094-050
Funcionamento: terça a domingo, das 10h às 17h | Fechado às segundas-feiras
Ingressos: R$15 (inteira) | R$7,50 (meia) | Quartas-feiras: gratuito
Exposição: Orquestra – Fotografias de Xirumba
Curadoria: Ariana Nuala e Rosa Couto
Em cartaz até 27 de dezembro de 2025
Local: Marquise do Parque Ibirapuera – São Paulo/SP
Visitação: todos os dias, das 5h às 24h
Entrada gratuita
Texto por agência e edição de Rebeca Dias
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