Igrejas e Capelas

Igreja de São Sulpício em Paris, cenário de filme e marco científico

Facha da Igreja de São Sulpício. Fotos Nathalia Weber

A Igreja de São Sulpício, ou Église Saint-Sulpice, em Paris, é um lugar muito especial. Além do seu valor histórico, ela abriga um marco astronômico. Dedicada a São Sulpício, foi construída sobre um templo romano, e terminada em 1631.

São Sulpício

São Sulpício nasceu na cidade de Vatan, na França. Como Santo, seus epítetos são: o Pio, o Bondoso e o Piedoso. Foi bispo de Bourges, no ano de 624. Também, como capelão, serviu ao exército do rei Clotário II. Durante sua vida dedicou-se à catequização e à pregação. Faleceu em 644, na cidade de Bourges, França.

A edificação

Segunda maior igreja da capital parisiense, a Igreja de São Sulpício foi construída sob a responsabilidade do sacerdote Jean-Jacques Olier. Olier foi fundador da Sociedade de São Sulpício, congregação que foi enviada ao Canadá para a evangelização dos nativos, quando da sua colonização.

Os destaques da fachada são as suas duas torres não uniformes. No interior podemos admirar: duas obras de Eugène Delacroix; pias de água benta, oriundas de Veneza, como presente ao rei Francisco I; e o órgão com 15.836 tubos, feito em 1862, por Aristide Cavaille-Coll.

O Gnômon

Gnômon é o “ponteiro” do relógio solar. É uma lâmina disposta na vertical do relógio que projeta a sombra do sol, indicando as horas. É considerado o primeiro aparelho para a indicação do tempo, durante o dia. Alguns citam como inventor, Anaximandro de Mileto (610 a.C. – 546 a.C.) , discípulo de Tales de Mileto.

A igreja de São Sulpício abriga um gnômon que projeta a sombra no chão. É uma coluna construída para determinar a data da Páscoa, que se baseia no equinócio da primavera (hemisfério norte). O construtor do gnômon foi o relojoeiro e astrônomo inglês Henry Sully, inventor do relógio marinho para mapear a longitude.

A coluna é feita em mármore com uma linha, no meio, de latão, paralela aos meridianos da Terra. Essa linha segue até um obelisco de onze metros, e com um sistema sofisticado de lentes, localizado em uma das janelas, quando, ao meio dia do solstício de inverno, a luz solar incide na linha de latão e vai até o obelisco. Nos equinócios de primavera e outono, a luz solar reflete em um prato de cobre de frente ao altar. Assim como a Torre de Saint-Jacques não foi destruída na Revolução Francesa por ser um local de experimento a Pascal, a Igreja de São Sulpício foi preservada por ser um local de medições científicas.

O meridiano de Saint-Sulpice

O meridiano de Saint-Sulpice foi por muitos séculos o ponto “0” na marcação da longitude. Somente em 1884, o ponto “0” foi transferido para o meridiano de Greenwich, na Inglaterra. A mudança ocorreu na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington D.C., Estados Unidos. Nessa conferência ficou decidido que a diferença entre um fuso é de 15° entre dois meridianos e, o fuso “0”, seria o de Greenwich. Estabeleceu-se também que ao todo, são 24 fusos, 12 a leste e 12 a oeste. Essa decisão só foi acatada pela França e pelo Brasil somente em 1911.

O Código Da Vinci

Para os amantes da história, da simbologia e da aventura, o livro e o filme O Código Da Vinci é um excelente entretenimento. Escrito por Dan Brown, o autor faz um passeio por marcos histórico de várias cidades europeias, em uma empolgante aventura, que tem como um dos cenários a Igreja São Sulpício. Na trama, o gnômen faz parte de uma das pistas seguidas pelo personagem principal, professor de iconografia religiosa, Robert Langdon.

Praça Saint-Sulpice. Todas as fotos deste post são de Nathália Weber.

A Praça Saint-Sulpice

Em frente à Igreja São Sulpice, está a praça de mesmo nome. Aqui, uma bela fonte, em bronze, datada do século XVIII, confeccionada pelo arquiteto Louis Tullius Joachim Visconti, criador da tumba de Napoleão.

Onde: Praça Saint-Sulpicie – Paris.

Para mais informações sobre turismo, história e arte na Europa, visite a nossa página com Dicas Culturais do Velho Mundo.

Renata Weber Neiva

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