Com a benção do clima, o país bateu o seu próprio recorde de produtividade na safra de 2018. Mais de 60 milhões de sacas de 60 quilos de café Conilon e Arábica, as duas variedades plantadas em solo nacional. Nada mal para quem já é o maior produtor mundial do grão. Provavelmente os números de 2019 não serão tão generosos, mas segundo os especialistas, a qualidade e a diferenciação serão os destaques da safra que vem por aí.
Na região amazônica, em Rondônia, assim como em regiões do Nordeste, encontramos um polo do cultivo específico de conilon. Mas é no Sudeste, mais precisamente no estado de Minas Gerais que encontramos a referência nacional e internacional na produção, beneficiamento e fornecimento de café. Para se ter uma ideia de grandeza, se Minas Gerais representasse um país, só a produção em suas férteis terras, já seria considerada a maior do mundo!
E o que mais impressiona é que ainda estamos longe de atingirmos nosso potencial de produção, quando comparamos os índices de produtividade em diversos Estados e entre produtores. O mercado internacional não para de crescer, assim como a exportação brasileira para atendê-lo. Além de maior produtor somos também o maior exportador, retendo apenas 40% do grão produzido para o consumo interno. Em termos de produção global, a nossa corresponde a um terço do que é produzido no mundo todo.
Estimativas projetam que a demanda por café no mundo em 2030, será de 205 milhões de sacas. Se continuarmos com o mesmo percentual de representatividade, teremos que produzir 72 milhões de sacas nesse período, ou seja, significaria um crescimento médio de 2% ao ano.
A tecnologia no campo vem contribuindo para essa evolução, seja no melhoramento genético do cafeeiro que possibilita lavouras mais produtivas e resistentes a doenças, como no sistema de inteligência artificial criado pela Embrapa. Este sistema faz análises sensoriais capazes de classificar, nos parâmetros estabelecidos, a qualidade global (QG) do grão. Desta forma, apesar de estarmos na vanguarda tecnológica desse tipo de análise, ela não substitui a famosa “prova da xícara”, realizada por degustadores que auxiliam, e muito, a classificação a partir do pó.
A produção de café beneficia os produtores de insumos como máquinas e implementos agrícolas, mudas, defensores e fertilizantes. E segue, com os produtores rurais, passando pelas cooperativas, maquinistas, corretores, até chegar à indústria de transformação: torrefadoras e indústria de solúvel.
As tradings encaminham o produto final para a exportação e os atacadistas/varejistas para a diversidade de pontos de vendas: máquinas automáticas, mercado institucional, restaurantes, bares e lanchonetes, lojas de conveniência, cafeterias, pequenos e grandes mercados.
Um longo caminho para se chegar na razão principal de tudo isso… você!
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