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sábado 23 setembro 2017
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História da Rio-Santos contada em ciclos

Estrada-Real-706x1024-bxCiclo do Ouro

A colonização brasileira, nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, não foi nada fácil, pois, além do clima tropical, suas doenças típicas e os índios, os recursos econômicos eram quase inexistentes. Retirar da terra itens para subsistência também era complicado, porém paulatinamente os esforços dos colonizadores deram resultados. Mas precisavam de mais: queriam a todo custo achar bens preciosos para enriquecer, como ouro e pedras preciosas. Foi então que os chamados bandeirantes, vindos das terras de São Paulo de Piratininga, conseguiram finalmente achar, no final do século XVII, veios de ouro e minérios preciosos, em Minas Gerais. Esses audaciosos exploradores transpuseram a Serra da Mantiqueira e acharam o que definitivamente transformaria o Brasil em um local cobiçado por muitos, tanto é que, nas últimas décadas do século XVII, o Brasil possuía uma população de colonos de 300 mil habitantes que, no final do século XVIII, tinha aumentado para cerca de 3 milhões.

 

Estrada Real – Caminho Velho

Na era pré-cabralina os índios goiaminins que viviam no alto da Serra do Falcão usavam uma trilha que chegava até Paraty, onde pescavam e tomavam banho, importante ritual para eles, por acharem que a água do mar era curativa. Martin Correia de Sá, em 1596, seguiu por esta trilha para desbravar o interior. Em 1660, a mando de Salvador Correia de Sá, foi aberto  definitivamente este caminho que ligava o Rio de Janeiro a São Paulo de Piratininga, pois ir pelo mar até a Vila de São Vicente era muito perigoso pelas condições do tempo. Quando da descoberta do ouro, a Coroa Portuguesa restringiu as vias até Paraty e este foi o único acesso autorizado pela Coroa Portuguesa para o transporte da carga preciosa – Caminho Velho. Garcia Rodrigues Paes de Betim conseguiu identificar um caminho mais curto que ligava Ouro Preto ao porto da cidade do Rio de Janeiro para o transporte de ouro – Caminho Novo. Sendo assim, Paraty ficou fora desta nova etapa de escoamento.  A Estrada Real cruza 162 cidades em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo.

Atualmente, a maior parte do calçamento em pedras do Caminho Velho está conservado. Iniciando a jornada no bairro dos Penha encontramos atrativos que registram os momentos de fausto da região e que compõe a Estrada Real: Igreja Nossa Senhora dos Penha, Poço do Tobogã, Bebedouro Pinga-Pinga, ruínas da Provedoria do Registro, Lagoa Seca, Rolador do Zé Migué (local de ataque feitos por bandidos às cargas de ouro) Largo do Governo (local de reorganização de tropas) e ruínas da Casa dos Quintos (local de pesagem e cobrança de 1/5 de impostos sobre o valor do ouro).

O termo “Quinto dos infernos” é uma referência a época, quando os portugueses que vinham ao Brasil na busca de ouro, voltavam para Portugal e contavam que aqui era um inferno devido ao calor e aos mosquitos. Então, quando chegavam os impostos de ouro, diziam: “lá vem o quinto dos infernos”.

Onde: Rodovia Paraty – Cunha – Paraty

 

cafe-IMG_4798-bxCiclo do Café

Com o declínio do ouro, as cidades que compõem a estrada Rio-Santos viram sua economia, voltada ao abastecimento dos tropeiros e à prestação de serviços, estagnar o que as fez retomar a produção de açúcar. Por volta de 1760, o café começou a ser introduzido no Vale do Paraíba. Foi uma transformação enorme para as cidades que viam a pujança econômica de volta, com estradas cheias de carregamentos e um intenso movimento de pessoas ligadas diretamente ao cultivo do café e o dinheiro gerado por ele. Porém, com o uso do solo de forma imprópria e a transferência do cultivo do café para terras menos “cansadas”, no oeste paulista, esse virtuoso ciclo econômico no Vale do Paraíba encontrou seu término no final do século XIX. Com isso, mais uma vez as cidades que compõem o cenário da Rio-Santos caíram no isolamento. A cultura caiçara se fortaleceu e os itens produzidos nessas cidades – farinha, banana e pescados – eram levados para as cidades de Santos e Rio de Janeiro e trocados por gêneros de primeira necessidade.

Leia também o post:  Ciclo da Cana-de-Açucar na história da Rio-Santos

 

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